MARINHA DO BRASIL
COMANDO-GERAL DO CORPO DE FUZILEIROS NAVAIS

RIO DE JANEIRO, RJ.

Em 7 de março de 2011.

 

ORDEM DO DIA Nº 1/2011

  Assunto: 203º Aniversário do Corpo de Fuzileiros Navais

  
“Deus quer, o homem sonha, a obra nasce”.
Este verso, de Fernando Pessoa, em “O Infante”, resume com perfeição a história do Corpo de Fuzileiros Navais que, neste sete de março, completa duzentos e três anos de existência.
Deus quis que houvesse em solo brasileiro uma tropa anfíbia, expedicionária e composta por valorosos guerreiros, os quais, por sua determinação e inabalável Crença em seus valores morais, éticos e profissionais, não temessem a adversidade, os desafios e mesmo a morte.
Homens sonharam, em Portugal, no ano de 1619 e idealizaram a criação do “Terço da Armada Real”, do qual, em 1797, seria formada a Brigada Real da Marinha. Também fruto de seus sonhos e convicções, os bravos guerreiros, “homens valentes”, componentes da Brigada Real da Marinha, escolhidos pelo Rei de Portugal por sua lealdade e confiança, dispuseram-se a defender as naus e embarcações de guerra da Armada Real e a proteger a Corte portuguesa na sua transmigração para o Brasil, por ocasião das guerras napoleônicas que assolavam o solo europeu. Em sete de março de 1808 estes idealistas Fuzileiros-Marinheiros, gente do Mar, aportaram no Rio de Janeiro, cumprindo sua nobre missão e selando este memorável dia como marco inicial da existência dos Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil.
Sonharam, ainda, por tempos, os nossos Veteranos, os “Fuzileiros de Sempre”, com o atual Corpo de Fuzileiros Navais, escrevendo páginas de uma história de superação e de glórias. Desde os tempos das praias de Caiena, nosso batismo em combate, conquistada pela ousadia e determinação dos Fuzileiros Navais em cumprimento às ordens do Príncipe Regente – D. João, até os dias de hoje, nas difíceis terras do Haiti, são estas páginas a mais pura expressão de uma saga que não nos autoriza, como Fuzileiros Navais do presente, a negligenciar. O exemplo dos nossos 1622 Fuzileiros Navais mortos em ação, em diferentes épocas, cujas vidas, o bem maior a ser preservado, foram oferecidas à Nação, faz-nos lembrar que o pensamento e as ações devem estar focados na nossa Corporação, acima de qualquer interesse pessoal. O pensamento, centrado na Instituição, nos fortalecerá como uma peça única, e nossas ações, motivadas pelo mesmo propósito, ecoarão na história, perpetuando o nosso Corpo de Fuzileiros Navais.
Porém, a Obra nascida desse sonho ainda não está terminada. Ela prossegue a cada dia na manifestação de sacrifício, na abnegação, na dedicação e na Crença de todos os Fuzileiros Navais, de ontem e de hoje. Fuzileiros Navais de distintas gerações que, amalgamados pelos mesmos atributos primordiais – Honra, Competência e Determinação – foram preponderantes para que, hoje, no bojo da Estratégia Nacional de Defesa, fossem a nós atribuídas as características de uma Força Expedicionária que parte, precipuamente, dos navios de nossa Armada, assim como o fazíamos desde os tempos do Império. No desenvolvimento desta Obra não nos será permitido descansar, um só instante, do zelo, da guarda e da preservação desse legado. Movidos por nossas Crenças, temos o dever de continuar a desenvolver o nosso Corpo, com profissionalismo, convicção, devoção e, acima de tudo, com a certeza que não nos pertencem glórias, posto que são efêmeras. Não nos cabem a soberba e o temor e sim, a humildade e a coragem de prosseguir na jornada dessa epopéia que é pertencer ao Corpo de soldados-marinheiros da Marinha do Brasil.
Ao finalizar esta mensagem, tenho a clara convicção de que muito maior que nossa herança, da qual somos fiéis seguidores, será a nossa responsabilidade de transcender a consolidação desse legado na sociedade brasileira, de ir além do que é esperado, de agir e de fazer acontecer, sempre com profissionalismo e devoção ao Corpo de Fuzileiros Navais, à Marinha e ao Brasil.
Fuzileiros Navais: na vanguarda que é Honra e Dever!
 ADSUMUS!
VIVA A MARINHA!
                                           MARCO ANTONIO CORRÊA GUIMARÃES
                                                         Almirante-de-Esquadra (FN)

                                                                Comandante-Geral